domingo, 13 de novembro de 2011

Gravações do amigo Davi

Eu Quero Fazer um Poema que Sangre


O Homem que não Tinha Ressaca



=DD

sábado, 29 de outubro de 2011

Outras Coisas


Se encontro-me triste
Por luto, dinheiro ou mulher,
Uma parte de mim resiste
E diz: há outras coisas, mané.

Há outras coisas, persiste,
Mais que coisas que pensamos haver
E a vida, sabendo, insiste:
Melhor do que não ser, é ser.

Sendo, lamentam-se outras coisas
E sempre lamentar-se-á, tem de ser,
Contudo é imprescindível saber
Que há outras coisas. 

sábado, 20 de agosto de 2011

Maré


O teu olhar me fita como se eu fosse mar
E tu, tão delicada, pareces temer as minhas ondas,
Embora a vontade de mergulhar
Te seja cruel, te seja hedionda.

Olhando-me pensas que sou profundo e bravo
E teu corpo pequeno crês que afundará
Entre o tubarão do meu peito, escravo
Que é manso, sem dentes e que não há.

O tempo passa, decide se vais entrar
Que as minhas águas querem te molhar,
Banhar teu corpo sacro de mulher.

Mas ficas parada, sem saber se quer,
Temendo em vão este pequeno mar
Quando nem sabes o que és: maré.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Condução (ou Passado)

Passou-se o dia correndo,
rápido como quem passa
correndo para ir pra casa
em um ônibus pequeno,
lotado de outros dias,
anos, décadas e séculos,
no pequeno ônibus lotado
com destino ao passado.

Quando encontrei um amor?
Não lembro se ontem
ou antes de anteontem;
quando fui criança,
E aprendi a andar, de bicileta, correr, somar?
Não sei;
quando fui feliz?
Não lembro.

Mas nessa condução
todos os dias se encontram
e acenam para mim,
enquanto partem
para nunca mais.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Alguém como Nós

Subo escadas, desço ladeiras, pego elevador,
Em solos irregulares construo o meu caminho,
Com passos curtos, ora largos, andando
Ou correndo, seguindo, sozinho.

Caminhas como se fosse dançando
Em trilhas nas quais não estou,
Deixando rastros de flores, pés de fada,
Por lugares que nunca fui, nem vou.

Onde estás, pergunto-me,
Perguntas onde estou,
Qual foi o ponto no destino
Que te fez secreta, te ocultou?

Alguém como eu, procuras,
Alguém como tu, linda,
Alguém como nós que não há
E por isso não encontramos ainda.

Entre uma máscara e um Panamá Social


O que há de gozo e de insano na tua dança?
E nos teus desperdícios alegria a cima?

O que há nos teus mistérios
que anoitecem meus olhos e enluaram meus medos?
Seus dedos que entrelaçam fumaças...

O que há na tua aflição de silêncio e cortesia?
Nas tuas máscaras nuas na cintilação das tuas pupilas,
Nas mordidas da tua demora
Na minha jugular que jorra
Tua essência ainda pulsante e fria.

(Thaysa Cordeiro)

domingo, 31 de julho de 2011

Pois És Nada

Quando te vejo vejo a nostalgia
como se eu sentisse distante
o  tão forte sentido outro dia.

Quando te vejo vejo o espanto
de não sentir como antes sentia
de um sentimento tamanho encanto.

Ao te ver releio a página virada
onde escrito um poema cantante
declamava à tua sacada.

Quando te vejo passada amante
hoje rio, pois é nada.